Espirais (3)

5 anos e meio, já era tempo suficiente para esquecer, perdoar-se por deixar, já era tempo de ter deixado passar, mas havia uma força, um descontento , algo que agia desintencionadamente por dentro, um boicote a suas convicções, deixara de ser desejo em algum momento e se tornou alguma espécie de lamento, um bloqueio.
Rezava todas as noites, cada dia aumentava o tom, aumentava a tensão na pulsação dos seus músculos, involuntários movimentos, nunca mais relaxou, perdeu-se na busca de terceiras soluções, sabia que não adiantava se doar, afinal se entregar era ceder ao que acostumou ignorar, tirar o curativo, ter de novo o sorriso, mas também o premeditado reclínio a queda.
Nesse ponto conhecia-se em detalhado plano aberto, ficou vulnerável, previsível, previa-se tudo que aconteceria por vício.
Era o que sabia de si e se tornou o que menos esperava, mas agora na lúdica versão da vida restava seguir, era a veracidade que surtia efeito, o que lhe motivava a respirar mais um dia, por mais tempo, implorava, não havia mais nada, tornou-se relevante, importante, fazia-se necessária por fora e por dentro já não importava mais.

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