A primeira vista

Sim, eu me lembro, era como fechar os olhos no deserto e sentir a areia tornar em oceano, uma sensação de alívio e contento, a total satisfação dos meus desejos.

Foi no máximo um movimento do relógio, foi o suficiente. Era como sentir todos ao meu redor ao mesmo tempo, um surto empático, um flamejo, como roubar todo o amor do ar, todo em mim, todo para mim, a presença de uma divindade, o arrepio da sanidade.

Foi um sopro e as cartas ainda estavam ali, paradas, esperando um toque para desabar, ordenadas como o destino, como se eu soubesse que esse era meu objetivo, o sacrifício da premonição, a pena que valia a pena, toda energia do universo no meu peito.

Se foi amor? Foi um olhar, um segundo de aceitação do absurdo e passou, como qualquer sensação, ficou apenas a falta, a necessidade de preenchimento, que outrora voltaria a ser, voltaria a minha consciência como reflexo do hábito de não estar preparado, inconstante.

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