Antevisto

Um olhar foi suficiente, inaderente, não consegui soltar. Foram dois segundos e já tinha razões para ceder ao absurdo, atraído pelo escuro, inerte a tudo e um único intuito, te observar.
Naquele segundo desconsiderei todo o ódio do mundo, sabemos, o amor não é seguro, mas os sedentos olhos escuros moldam o abraço assimétrico, a menos de um metro, não formam-se tetos, sílabas, versos, apenas te observo.
Em cifras mastigo a ansiedade, não reconheço se é verdadeira sua companhia, todavia também te acompanho, sempre perdido, tentando, ao seu lado, olho disfarçado, o suficiente para que você note o desviado novo traçado que moldei de você.
No pouco que represento em seu dicionário, te cobro um sílabo ao contrário, me fervo a provar-te em teoria, como oportunidade, existiria, a te escolher, encolheria o coro de amigo, nos encaixaria, em tempo e melodia, e mesmo tardia, ressoa estática, ultrapassa, me deixa passar, sente, estala, ouve, esta lá, estou aqui e estará, a te esperar.

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