Revestido

Eis que o pobre coração põe-se a prova, poderia sofrer outra queda e manter o equilíbrio, em seu individual abrigo, protegido, fechado, a sete chaves do paraíso.
Pessoal e intransferível, ainda assim ferido pelas paredes do seu cubículo particular, tem se debatido e batido constante, como gente grande, já sabe amar.
Eventualmente, descobriu do frio a fórmula para ser habitado, ter companhia nos domingos solitários, bastava emendar os sorrisos aos tropeços, os discos, os textos, e repetir-se em voz alta, existir, ser citado, ter acertado, ser estada, estrada e caminho, e o destino sabotar.
Por vezes, vazava de seu abismo sem contexto, invertia, gravitacionava desatento, por isso tratou-se de ser visto, curado e invisível deixou de ser sentido, o seu corpo, no ócio da noção começou a desmembrar-se inaudível, contendo a insaciável angústia e a intratada ferida, a sangrar versões dos versos, rimados as versões do ego, ritmado.
Por fim, apesar da resistência, não poderia fechar a porta, dobrar a esquina, ir embora. Seria fácil se pretendesse deixar latente sua vontade, mas há gente que não podemos deixar, simplesmente, é gente demais em nossa mente, a liquidificar, em soro, curtido em sal grosso, resistindo a queda, entretanto, insistente, entrou.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s