Sentido

Sem sentido, te sinto, sentindo, impossível. É assim quando estou contigo, totalmente sem sentido, o que passa me leva desatento, cego, só sinto seu cheiro. No tato, o abraço e o sabor teu que trago, gasoso, sou pouco entre tantos, entretanto escuto, te dou toda atenção do mundo. Eu corro, te risco, guardo o retrato, o rabisco, arrisco, tiro um sorriso e retorno ao passado, respiro fundo, em câmera lenta, me perco em memórias, destranco a gaveta.
Deixo ser nítido, visual e solícito, o que sinto espero que fique em lembrança e que a esperança se molde a saudade, sem precendente, pendurada a parede e assim vaza o que sou, entalhado te aguardo, parado, ensaiado, em queda livre o observando do alto, miro, impossível, sentindo, te sinto, sem sentido.

Contagem

Perco, retorna, contagem, as horas,
É assim que esqueço, deixo aos poucos.
Recolho o vazio do espaço oco,
Enxáguo o amor, despeso-o do ombro.
Caminho, a volta, contagem, as horas,
É elástico, o passo preso ao abraço,
Dobro o amor, passo e guardo
Um quarto fica, de novo aguardo,
até você partir.