Culpados

Desculpa, foge o controle do sentido, te sinto, enquanto se move a saudade, invisível, no sentido contrário, estala o coração em pausa, o faz respirar.
Me culpa, insisto, contra o acaso, o destino, me faço morada de possibilidades, avanço a saudade, a guio, torno-a o vício, o tento, e tento, inspiro a respirar, respiro, não deixo parar.
Te culpo, pela distância visível, que longa naufraga, ainda que rasa, não deixa ser de verdade, nos deixa a mercer, no entrave, nos prende a respiração.
Ambíguo culpado, impedido, o amor vestido de culpa, indefinido, sobra a distância medida, sigo os passos e os pés calejados tornam a respirar.

Bom dia

Bom dia. É assim que te digo que meu coração te deu abrigo, e nas tardes já não aguento de saudades, torço o dia para que a noite venha seguida da sua presença e de ausência só tenha solidão, bem longe quando sinto sua mão tocar meu vício, mania, o amor obcecado pela alegria de estar preenchido, livre a correr em sintonia junto ao calor desses dias que viajam secretamente e retornam ao começo, bom dia.