Quatro quartos

A pressa que me segue não deixa rastro, é como se a cada passo houvesse três a serem dados e não acompanho a rotação do destino ao redor de todos os astros que passam rasteiros ao meu lado, a me deixar.
Fumo o futuro, fumaça, o vento correndo de graça e nos cobrando atenção. Os fios brancos presos no asfalto, as linhas imaginárias que nos separam, os sinais que não dizem nada, a se partir.
A mil ano luz atrasado, as luzes refletem o passado, no estrado da cama vibra o som das batidas do coração acelerado, o fim da noite é sempre menos denso quando sinto o acochoado som da pressa em desespero, esperando a porta, observando as horas sem passar.
No geral resta tanto do pouco que sobra, me torno a ideia de vida lá fora, os verbos se perdem no vento, verdades são meros desejos, não sou além da consequência do tempo, a aguardar.
Do caos um quarto é refúgio, a razão de reconhecer o escuro, andando de luzes apagadas nas várias versões do meu ego, o seguro da imobilidade, a pressa coberta de calma, a se iludir.

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