Evaporar

Enquanto desviava das balas que atiravam, para ele era alvo fácil, mirou-se de amor, recebeu o contrário, mas era tanta a expectativa, faltava de si o que sentia e estava cada vez mais a esvaziar-se do que possuía. Nele buscava abrigo, cedia ao destino, fardava o escudo, aceitava a guerra, cedeu o espírito, a alma, e era, em sua limitada versão do verbo, amar.
Enquanto dissoava cada palavra vazia, também tornava os gestos dele em armadilhas, pagou para ver o se tornar-se seu, todavia o céu anoitecido, junto a seu coração amolecido, cediam a luz do dia, claras eram as intenções, só não correspondidas, contudo via-se em uma realidade alternativa, considerava um desafio, mas era apenas o vício de ceder, de ser o alvo, de sofrer para sentir-se amado.
Em quantos pedaços ficou, não sabia, era a parte vencida pela agonia, perdeu, perdera, perdurou, o que sobrou dele é o que ficou, doou-se em seu último abraço, respirou do paraíso o ar gasto e evaporou.

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