Anfêmero Lapso Emotivo

Coincide a passagem, a fração do segundo
Em que vejo você e descubro o embrulho,
Me calço de afeto, aperto a gravata,
Cedo ao sorriso, a necessidade e a falta.

Ecoo racional, reversível, forçado,
O ponteiro repete o palpite apressado.
Um segundo enrola nossos nós desatados,
E por dentro me perco procurando atalhos.

Palavras e passos nos prendem no tempo,
O passado insiste em recriar os meus erros,
Logo vem o atraso seguido da pressa,
O desespero da esperança pedindo uma trégua.

Me perco no tráfego de pessoas que passa,
E passa o tempo, o presente, a estrada,
Te procuro, escondido, cifrado em segredo,
O pensamento vestido do vestígio que vejo.

Coincide escoar a ausência de tento,
Enquanto engarrafo as memórias de agora,
Guardo a fração do segundo passado,
Descalço o afeto, te deixo a porta.