Caos

Inerte, como o verso de uma obra de arte a buscar o seu valor, nunca sentiu-se livre, e enquanto se apaixonava pelo tempo estagnou-se no caos.
Contradisse, transbordou metade das lembranças, guardou-se e criou o vácuo, orbitou em seu próprio espaço até colidir.
Metades, terços, quartos, pôs-se a prova, andou descalço, mirou no risco, acertou o marasmo, era solúvel, mas intragável, o gosto conhecido, engasgado, não era feliz ou triste, pelo contrário, era mais do que o estado de ser.
Foi quando percebeu o rarefeito toque do esquecimento, viu-se preso entre a companhia do caos e do medo, isolou-se, conheceu-se, transformou-se e do se fez companhia, velejou.

Síntese de nós

Por todas as vezes que esperamos o toque,
As vezes que trocamos de pele,
Criando lembranças no escuro,
Convenções de amores absurdos,
Rolando as pedras no abismo,
Somando horas úteis aos sonhos,
Perdemos aos poucos,
Moldando a ferro nossa imagem no outro,
Calamos o som do caos,
Falamos por espaços,
Mas perdemos a voz no todo,
E quando estamos só?
Em toda a insistência, fosse de quem foi,
Sorrimos a perda, nos armamos de novo,
E voltamos a esperar.