Escamas – Lado B

Eu não era o suficiente, ouvia de longe o eco do seu subconsciente distraído a me avisar. Preferia a distância, por isso mesmo na falta não cedia ao contato. Mas eu estava fascinado, de um jeito que sei que era esperado, me coloquei como mais uma carta embaralhada no seu baralho. De forma incerta, esperava uma resposta do silêncio. Foram algumas horas e cessou, percebi de longe o ponteiro, era a noção que eu tinha de tempo, recolhi as peças que restaram, mas deixei a louça lá, uma semana me lembrando que me prendi para te libertar.

Escamas – Lado A

Agarrado ao eco do que restou da última inspiração, expirou. Era mais uma peça para a pilha, perdeu as contas de quantas vezes havia se doado, mesmo fadado a culminar novamente no fim ensaiado.
Era contundente a liberdade que sentia na perda, dessa forma a solidão o libertava, não procurava sentido, procurava sentir e em cada síntese que retornava de suas reflexões acabava na certeza, era claro, não sentia que merecia se sentir amado.
Enquanto se apoiava no quebra cabeça desmontado, ansiava pelo improvável e esperava que algo o completasse, por isso aceitava se compor de pedaços, do que restou de outros, do passado, das peças que o deixaram, e as que restavam não formavam a imagem em que refletia.