Maré alta

Materializado,
Reflito em seus olhos avermelhados
Enquanto soa o mar noturno ao lado
Retrato o olhar interessado
Ressoando as ondas do mar, embalados.

Considero encaixá-lo,
Desconstruo o passado,
Concebo teorias,
Troco as rotinas,
Não quero ir embora.
O vento lá fora,
Meu corpo ignora,
Cesso o tempo,
Resta o agora,
Dopamina,
Esqueço de ser,
Sou com você,
O que há de mim.

Por fim reitero,
Trague me como o trago,
Nade me como o nado,
Dimensione-me a imensidão,
Cubra-me de tato,
Sedimenta,
Torne-nos a areia,
Na ampulheta a girar.

Resignificar-se

O placebo funcionou. Todos sentiam-se diferentes, mesmo sem saber o porquê. Era como se a frente não houvesse mais da nobre experiência cíclica do tempo, como se de alguma forma as luzes refletidas na água, os pulos ritmados, as flores, a contagem e os abraços tornasse o ser nulo e da nulidade o fizesse novo, completando a busca pela fuga de si. Premeditado surge o ser compromissado, faz-se planos de um futuro utópico, mas visionário. Contudo no final do dia todos voltam, rotina, batem as portas, tiram o calçado e ainda desnorteados reiniciam a contagem do ano calendário.