Espirais (5)

Cansada, escolhe encolher a estrada com frases prontas e paixões manjadas, guardou o diário na última gaveta da cômoda, a mesma onde guardava todas as permissões a tentar que juntara. Havia tanto que ainda enxergava, mas o tempo, em seu desespero de passar, não levava as concepções já geradas, era como quando não sabia nada além de que algo faltava, nomeou-se do que conquistou, era amada, convenceu-se que sua vontade não importava, mas era no reflexo que ficava todas as teorias de vida e raspava do tudo a única essência que encontrava, o amor de fora era o que nutria sua alma, seu ego, sua estada, deixou ser escalada, era nada ou permitir-se ser tomada e esvaziar.
Nos mapas perdia mais do que encontrava, fugia de seu corpo, sua realidade inanimada, possuia tanto amor em teoria que transbordava, no fundo sabia, jamais significara mais do que 2 centenas de ilusórias tentativas falhas, tantos sorrisos e sentidos que se tornaram nada, momentos esquecidos, destrancados, voaram da gaiola, sem causa.

Espirais (6)

Perdeu a inspiração, mas ainda estava viva, de forma desequilibrada inspirava, todavia parara de escrever por dias enquanto não encontrava vazão para ter fala, parecia que tudo estava ali, detalhado nas páginas rasgadas há muito tempo abandonadas. Quanto tempo se passou, quanto amor desperdiçou. No fundo sabia que a cada sentimento vestido de palavra se esvaziava, era o que mantinha a balança estabilizada, tudo o que sentia estava preso em suas fábulas. Nunca deixara ficar preso em sua pele, mas sua alma em segredo se queixava, era o incomodo ardor que sentia nas madrugadas, os sonhos que apareciam como aviso do que guardou na porta atrás da escada, escondida, atrás da parede que subiu ao redor de toda pulsação incontrolada, o mesmo lugar de onde surgiam as vontades inexplicadas. Naquela obstante sensação percebera que tudo que há tanto guardava, os capítulos de uma história incontada, não formavam apenas a memória que a bloqueava, formavam também a força que precisara para inspirar novamente, perder-se dentro do subconsciente, pender a balança, e mesmo que arda e o ciclo responda ao precedente, mesmo que o amor desmembrado esteja na patente, recomeçou, rendeu-se. No fim o retrato lembrava pouco dos fatos, era o gosto conhecidamente esquecido, o gatilho virado ao inimigo, era nada, estava contido. Não voltou a inspirar ritmadamente, mas pela primeira vez viu-se além de refletir, existia sozinha, era de verdade e sorria, estava solta de sua própria armadilha, respirou.